Após 13 anos a representar o Estoril Basket, desde Sub12 até sénior, com algumas interrupções para outros palcos, chega agora o momento de fechar este capítulo — o que estás a sentir nesta fase de despedida?
A despedida tem sido adiada nestes últimos 3 anos, só isto demonstra a dificuldade de deixar algo que significa tanto para mim. De qualquer forma está a ser tranquila... O fechar deste capítulo traz alguma paz e sentimento de dever cumprido. Olhar para trás e ver todo o percurso, todas as pessoas que conheci, sítios onde vivi. É sem dúvida uma mistura de emoções.
Como começou a tua ligação ao basquetebol e ao clube, e que memórias guardas desses primeiros tempos?
A minha ligação ao basquetebol começou por tentativa e erro de desportos que não me identificava tanto. Comecei com o clássico futebol, que não durou muito tempo. E acabei por experimentar o basquetebol.
Começo nos Lombos por ser mais perto de casa na altura, mas como não poderia haver progressão porque os Lombos não têm escalões masculinos eventualmente teria que mudar de clube.
Nesse timing perfeito, surge a oportunidade de ir para o Estoril a convite do atual presidente Carlos Silva Pereira na altura uma criança, e do pai. No pavilhão da Ajuda, nos míticos convívios de minibasket.
E assim começa a minha história no EBC. Lembro-me da energia que se sentia entre todos os escalões, o carinho, a sensação familiar que se vivia dentro do clube. Os treinos de verão, os torneios internos, os almoços de clube, os jantares de Natal. Toda esta sinergia entre atletas, pais, presidente, dirigentes, etc.
Olhando para o teu percurso, como descreves a tua evolução desde a formação até chegares à equipa sénior?
Desde o minibasket que o meu sonho sempre foi conseguir jogar no nível mais alto em Portugal, começou por aí pelo menos. O meu percurso no Estoril começa logo com ser campeão nacional de sub-14, e continua com disputas de fases finais distritais, nacionais até sub-18.
Todos os anos fomos capazes de competir e estar em todos os grandes palcos a nível nacional. Mais tarde integro a equipa sénior com 17 anos, com muita ambição de me afirmar, de ter sucesso, e aos poucos fui conseguindo ganhar espaço e evoluir como jogador.
Como foi o impacto da transição para sénior e quando sentiste que te afirmaste verdadeiramente nesse nível?
Diria com 18, 19 consegui estabilizar e fazer a transição total para um nível de basquetebol sénior. Onde é necessário e fundamental aliar as componentes físicas com o conhecimento do jogo.
Com 19 tenho a minha primeira experiência profissional no Sampaense, onde chego para ser 10.º jogador, sem provas dadas, onde aproveitei a oportunidade e acabei a fazer parte do 5 inicial, ter o meu espaço e responsabilidade na equipa. Diria que esse foi o ano que me fez acreditar que podia jogar a esse nível.
Ao longo destes anos, quem foram as pessoas (treinadores ou colegas) que mais marcaram o teu caminho?
Não consigo nomear todas as pessoas porque estaria a ser injusto, mas todos os colegas de equipa que tive, treinadores, dirigentes, staff do clube. Guardo com especial carinho sítios por onde passei como o CAB Madeira, dos colegas que tive a todas as pessoas que compõem o clube. Belenenses, onde apesar de uma direção pequena eram incansáveis a todos os níveis. Numa idade mais jovem e fundamental para o meu desenvolvimento, saliento a minha passagem pelo Centro de Alto Rendimento.
E por fim, todas as pessoas que tive o prazer de conhecer no Estoril Basket, o grande presidente Sr. Vítor, todos os pais, todos os amigos que fiz para a vida. Guardo todas estas pessoas com muito carinho.
Qual foi o momento mais alto da tua carreira — aquele que vais guardar para sempre?
Momento mais alto não consigo destacar nenhum em particular, mas guardo alguns momentos como a primeira experiência na liga, a primeira vez que chego aos playoffs, as disputas de subida de divisão, a minha experiência em Espanha, e ter sido campeão nacional em sub-14 pelo Estoril Basket que se viveu com muita emoção por sermos um clube pequeno da linha, pequeno em tamanho e pequeno em história. As Festas do Basquetebol em Portimão e Albufeira que são dos momentos mais excitantes na formação.
E o momento mais difícil, que te tenha posto verdadeiramente à prova?
O momento mais difícil foi quando tive a minha lesão grave no joelho e todos os meses de recuperação. E depois o mais comum entre todos os atletas, que é o bounce back depois de perda de confiança. O voltar a reconstruir essa energia, esse espaço mental, é algo que aprendemos a fazer vezes e vezes sem conta. São pequenas lutas constantes que nos vão colocando à prova.
Como descreves o ambiente de balneário e o espírito vivido no Estoril Basket durante estes anos?
O Estoril desde sempre foi um clube familiar, com uma ligação forte entre todos escalões. Estes últimos anos sofremos por não termos um pavilhão casa. Estamos no bom caminho nesse sentido e espero que consigamos trazer de volta esse espírito, aliado a uma cultura vencedora e competitiva que vivi durante todo o meu período de formação.
Que significado tem o clube na tua vida, para além do jogador que foste dentro de campo?
Guardo e sempre guardarei o Estoril Basket com muito carinho e estima. Desejo somente o maior sucesso, e que o clube consiga atingir todo o seu potencial. As memórias que ficam de criança até ao final desta jornada de 20 anos enchem-me o coração. É um círculo completo e não poderia acabar de outra forma. Fico muito feliz que tenha sido possível terminar assim.
Para terminar, que mensagem gostarias de deixar aos mais jovens do clube e a todos os que acompanharam o teu percurso?
A quem acompanhou o meu percurso e me apoiou ao longo destes anos, um obrigado! Foi um prazer enorme partilhar esta experiência com todas as pessoas com que me cruzei. Valeu a pena todo o sacrifício, todas as viagens, todas as horas investidas, os verões inteiros a treinar, todos os momentos que partilhamos em equipa e as amizades que se criam. Faria tudo novamente.
Aos mais novos deixo uma mensagem de esperança, que é possível atingirem os vossos objetivos com muita dedicação e trabalho. E que no final, independentemente do nível que consigam atingir, vale sempre a pena.
Em nome de todo o Estoril Basket, deixamos um profundo agradecimento por estes anos de entrega, compromisso e paixão pelo clube. Mais do que os jogos, os títulos ou os números, fica a forma como sempre representaste esta casa — com dedicação, respeito e sentido de pertença. És e serás sempre um dos nossos.
Obrigado por tudo.
